6 de maio de 2009

Amor Flamejante


A lareira continua a arder, lá fora o céu está escuro e o vento sopra por entre as árvores que rodeiam aquela pequena cabana. Sem avisar, o céu começa a chorar lágrimas brancas e frias, que caem no chão e o tapam com um macio manto branco. Dentro daquela velha cabana está um velho sentado perto da lareira, aquecendo as mãos. Os seus dois queridos netos correm para ele, pedindo-lhe que conte uma história. O velho, que já contara todas as histórias que conhecia e que tinha nos livros de casa (que eram muito poucos), não sabia o que contar. Depois das duas crianças terem quase suplicado, aquele feliz velho decida contar uma agradável história que nunca tinha contado a ninguém. Nunca da sua boca tinham saído palavras que estivessem relacionas com a história. Ele sempre a soube, mas nunca a contou (até aquele dia). A história não era simples, nem pequena, mas decidiu contar.
Era uma vez….

As duas crianças, um belo rapaz e uma menina com os olhos lindos, pediram ao avô para não começar com tal frase, pois recordava-lhes histórias para crianças, e eles já eram muito crescidos. O velho continuou…
Há muito tempo atrás, numa época em que as batalhas eram feitas com espadas e cavalos, em que as meninas sonhavam com um príncipe encantado, em que existiam malvadas bruxas, grandes dragões, reis e rainhas, príncipes princesas, etc. … Um jovem tentava aprender a montar a cavalo enquanto a sua mãe suspirava de alívio sempre que o cavalo parava. Ele era muito confiante em si, era inteligente e esperto, gostava de desafiar os seus tutores com atrevidas perguntas, era um jovem simpático e muito cavalheiro (para as donzelas). Tinha uma vida quase perfeita, era feliz nos amores, era um rapaz muitíssimo inteligente e conseguia tudo o que queria. Mas haviam senãos na sua vida, era príncipe. O seu pai adorava-o, via nele um óptimo sucessor, a mãe amava-o tanto que o protegia demais. Mas ele sofria de uma grande angústia. Em bebé uma bruxa tinha dito que um dia seria morto por uma flecha ardente. Desde esse dia, o rei tinha proibido o uso de flechas no reino.
O jovem que nada temia, sempre tinha tido o desejo de ir para lá do reino, de ver sítios que nunca ninguém antes tinha visto. Mas nunca o deixaram. A sua irmã era uma belíssima princesa que às escondidas aprendia artes medicinais para curar as pessoas. Era comentada em todos os reinos, todos conheciam a fama da sua beleza. Ela tinha um pretendente, um homem loiro, alto e magro como a sua espada, era cavaleiro de um reino vizinho. Encontravam-se às escondidas, o único que sabia disso era o irmão, que a protegia sempre.
Todos os dias o jovem príncipe vivia aventuras (na maior parte das vezes amorosas). Um dia, depois de terminar a sua aula de esgrima decide ir dar uma volta pelo reino. Quando olha em volta o seu olhar encontra uns olhos escuros e profundos como um oceano desconhecido. Sente uma chama desperta-lhe no peito, como se tivesse acordado algo adormecido, aquele olhar depressa desaparece, desviando-se noutra direcção. Desde aí nunca mais o esqueceu e procurou por ele todos os segundos que passava na rua. Até que….

As crianças ouviam a história com muita atenção, mas já quase fechavam os olhos. Estava na hora de ir para a acama. O avô simplesmente disse que continuaria amanhã e as crianças fugiram para a cama, queriam sonhar com o que aconteceria ao príncipe e à rapariga que o encantou daquela maneira.

1 comentário:

Marta disse...

Só há duas palavras para descrever os teus textos Valter, BRU TAIS ! :p continua assim rapaz!